segunda-feira, 11 de junho de 2018

Diário # 14 - Escolher uma Escola!!




Quando pensamos que temos momentos difíceis, que já tomamos algumas decisões complicadas, que temos dias tão exaustivos, noites mal dormidas, Invernos cheios de viroses infantis, descobrimos que afinal nada disso era assim tão difícil comparado com a ida do nosso filho para a Escola.

Onde eu cresci, existiam 4 escolas primárias, quase todas no mesmo sítio porque a cidade era pequena e bastante pacata, mas aqui, a cidade é enorme, recheada de diferenças, e há muitas escolas… Pedir opiniões nem sempre pode ser uma ajuda, os nossos olhos fazem um trabalho melhor, analisar pessoalmente as escolhas, porque quando pedimos opiniões poucos têm boas informações, mas muitos dispõem de “informação alheia” que nos deixa ainda mais confusos… Além disso, e principalmente, a opinião de cada um é subjectiva, assim sendo, acho que devemos sempre formar a nossa própria opinião com base em factos que podemos ver e provar.

Estes meses de decisão e indecisão foram uma dor de cabeça, daquelas que também latejam no peito e nos deixam pensativos, nervosos, a suspirar por todo o lado. Parece-me a decisão mais difícil que tive que tomar até agora. Mas a verdade é que não podemos controlar tudo e tenho a certeza que daqui a uns anos esta decisão será, talvez, a menos difícil de todas.

É um mundo novo, não é fácil, e senti, nestas semanas, dificuldade em obter informação “segura”, por parte das entidades competentes para tal, liguei para vários agrupamentos e para a Dren e houve sempre diferenças nas respostas.

Mas aparte as burocracias habituais e a falta de informação coerente, o que importa mesmo é escolher a escola, sem ligar aos rankings. Escolher pelos rankings é uma asneira. Fui visitar algumas escolas, aqui nas proximidades, não fui ver privadas, além de serem absurdamente caras, prefiro as públicas sem sombra de dúvida, quero que as minhas filhas tenham uma “escola da vida” normal, com todas as experiências inerentes normais. Porquê pagar para aprender se o ensino é gratuito e excelente no Público também? Só mesmo se existisse essa necessidade por outras razões pessoais. Fui às 3 escolas que ficam mais próximas da minha área de residência, a chamada área de influência, e uma coisa é certa, por mais escolas que se visitem nunca saberemos realmente como será. Podemos apostar no aspecto da escola, no espaço exterior, na nossa percepção, empatia, instinto maternal, mas a verdade é que pode ser a melhor escola do mundo, com jardim, parque, salas a brilhar cheias de desenhos nas paredes, cortinas novas e aquecedores a funcionar, e termos o azar da criança ter um Professor pouco dotado do ensino, ou que está sempre a faltar e a ser substituído, ou que motiva pouco as crianças, ou até que descrimina, ou pune psicológica e/ou físicamente.

Das três, gostei de duas, se fosse pelos rankings e não a visitasse, escolheria a que detestei, muito conceituada, e no entanto, fria, impessoal, apática, sem dinâmica visível, semelhante a um centro de saúde com os espaços mal geridos e organizados, as salas despidas de vida, sem cor, as aulas muito deprimentes, pareciam estar todos infelizes ali dentro… O recreio de cimento do tamanho de uma sala de aula para 200 alunos, sendo que parte desse espaço são degraus. Uma escola escura, sem cor, sem um recreio decente para correrem. Os Professores até podem ser os melhores do Mundo mas aquele espaço não é o espaço que quero para a minha filha, cheia de vida, só a via a murchar ali, a pouco e pouco…

As outras duas Escolas, já são escolas completamente diferentes, diria que sim, são Escolas! Cheias de vida. Com recreios enormes para poderem correr. Salas coloridas, paredes cheias de cartazes, desenhos, letras, algarismos. Os corredores têm fotos, desenhos. Sente-se muita dinâmica e alegria, incluindo entre Professores e Auxiliares. Todos muito bem dispostos e em interacção. Via a minha filha ali, feliz, a correr naquele espaço imenso e a aprender cheia de vontade.

Além de nos sentirmos bem com a escolha da escola, precisamos, acima de tudo, que os nossos filhos tenham a felicidade de ter um bom professor. Aquele Professor que ensina com gosto, que é carinhoso mas ao mesmo tempo é exigente. Não queremos professores passivos, absortos e facilitistas, às vezes porque são assim, outras vezes porque os obrigam a agir de determinadas maneiras para as escolas alcançarem determinados objectivos que não são propriamente aqueles que importam realmente para os alunos e futuro dos mesmos, daí ser tão importante conhecer o meio e a dinâmica escolar para percebermos o funcionamento dos mesmos.

É importante não esquecer que os nossos filhos quando vão para a Escola Primária continuam a ser crianças, não vão deixar de ser crianças para serem alunos apenas. Vão aprender e vão brincar, e têm que estar num ambiente saudável, feliz e comunicativo. O recreio é muito importante, uma escola que não quer saber do recreio não está a pensar nas crianças que são os seus alunos, talvez esteja sim a pensar nos alunos que ajudarão aos rankings desejados, mas é isto que queremos para os nossos filhos?

Eu não, eu quero a minha filha numa escola onde se sinta feliz, num ambiente familiar. Preciso sentir que a deixo num sítio onde vai continuar a ser criança e a aprender coisas maravilhosas, e não num sítio onde “tem que estar” até eu ir buscá-la.

Hoje fui finalmente fazer a candidatura da minha filha mais velha ao agrupamento da escola que escolhi como 1ª da lista de escolhas. Agora é esperar.


Ficam aqui algumas informações:


Ordem dos critérios de seleção dos alunos (Despacho Normativo nº6/2018 - Artigo 11º - Nº1) :
1º e 2º - crianças com necessidades educativas especiais de caráter permanente
3º - crianças que estavam já no pré-escolar do mesmo agrupamento
4º - crianças com irmãos já matriculados naquela escola
5º - Beneficiários de ASE que residam na área da escola
6º - Beneficiários de ASE que exerçam a profissão na área da escola
7º - Crianças cujos encarregados de educação residam na área (sendo que aqui primeiro passam os que já estavam na pré no mesmo agrupamento)
8º - Crianças que frequentavam o pré-escolar em instituições particulares de solidariedade social na área da escola
9º - Crianças cujos encarregados de educação estejam empregados na área
10º - Crianças mais velhas




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